segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Seu filho pede um presente de Natal que você não pode dar. E agora?

O Natal está aí e, junto com ele, uma lista enorme de presentes começa a aparecer! Quando pergunto para os meus filhos: “O que vocês querem pedir para o Papai Noel?”, logo vem uma avalanche de brinquedos! Nem eles mesmos sabem o que realmente querem!
Um estudo encomendado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal de educação financeira “Meu Bolso Feliz” revelou que na maior parte dos casos a escolha do presente de Natal para as crianças é feita exclusivamente pelos pais (51%).
Mas é grande a influência dos filhos no processo decisório. Em 49% dos casos eles participam de alguma maneira na escolha do presente: 35% dos pais entrevistados disseram que a decisão é feita em conjunto com os filhos, e outros 14% confessaram que é a criança quem decide sozinha o presente que irá ganhar na data.
Mas… E se eles escolherem um brinquedo que não existe (do imaginário deles), ou então algo muito acima do orçamento previsto para isto, ou até mesmo uma lista enorme de presentes? Como contornar essa situação sem desmistificar a imagem do “Bom Velhinho”?

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Confiram algumas dicas:
1) O educador financeiro do “Meu Bolso Feliz”, José Vignoli, defende que ao decidir presentear o filho, seja no Natal ou em outra data festiva (como aniversário e Dia das Crianças), é importante ouvir os seus desejos. No entanto, ele alerta que é dever do pai e da mãe avaliar o que é possível ser comprado dentro das limitações orçamentárias de cada família.
“Os pais precisam ter a sensibilidade de saber o que os filhos desejam para tentar chegar o mais próximo possível daquilo que a criança quer ganhar, mas que, ao mesmo tempo, eles tenham condições de pagar”, afirma Vignoli.

2) Tente dizer que o Papai Noel dá apenas UM brinquedo por criança, caso contrário, outras ficarão sem! Isso pode ajudá-la a compreender que o Papai Noel está cumprindo a parte dele, além de não deixar outras crianças sem presente nenhum. Além disso, incentiva o companheirismo e a compreensão da partilha nos nossos pequenos.

3) Caso a criança crie um brinquedo imaginário, os pais podem tentar direcionar para o que realmente existe, ou até explicar que o Papai Noel não consegue inventar brinquedos, que ele dá para as crianças algo que já exista.

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Frustração com o presente
O estudo do SPC Brasil mostra que em caso de o presente recebido desagradar o gosto do filho, a frustração é compensada em mais da metade dos casos (51%) por meio de uma barganha – os pais se comprometem em dar o presente desejado em outra ocasião.
Esta situação ocorre principalmente entre os entrevistados do sexo masculino (55%) e pessoas das classes C (62%).
Em 30% dos casos os pais relataram que os filhos ficam tristes e frustrados, porém, logo se esquecem do pedido. Já 3% dos pais ouvidos no levantamento admitem que em situações assim seus filhos geralmente choram e fazem birra.
Para os especialistas do “Meu Bolso Feliz”, a lista de pedidos feitos ao Papai Noel – ou aos próprios pais, no caso dos filhos maiores – deve conter mais de uma opção para que se evite a frustração da criança. Dessa maneira, ela percebe que essa é uma decisão compartilhada, que precisa ser feita em acordo com os adultos, pois são eles quem trabalham e se esforçam para cuidar da casa e do bem-estar da família.
É natural as crianças pedirem diversos presentes, ainda mais quando estão no convívio com amigos na escola, primos e outros coleguinhas da mesma idade, além dos estímulos da propaganda. No entanto, o “não” como resposta precisa ser assimilado pelos filhos, dizem os especialistas.
“Alguns pais excessivamente permissivos acabam satisfazendo a vontade de seus filhos com um presente caro para não frustrá-los, mas após algumas semanas quando olharem a fatura de cartão de crédito e notarem que o brinquedo já foi deixado de lado pela criança, eles podem ficar bastante arrependidos com esta atitude. Se o filho está acostumado a ganhar tudo sempre, quando não recebe um presente pode interpretar a situação como falta de amor”, alerta o educador financeiro.
Os especialistas são unânimes em afirmar que experiências de frustração na infância são imprescindíveis para que a criança desde cedo aprenda a lidar com situações difíceis e de desconforto.
“A frustração é uma necessidade do desenvolvimento infantil. É importante que a criança reconheça o valor do dinheiro desde cedo e entenda que os pais se esforçaram para que ela tenha acesso a coisas mais importantes”, diz a psicóloga Maria Tereza Maldonado.
Ela recomenda que os pais conversem abertamente com as crianças sobre a atual situação financeira da família. “O pai que satisfaz todas as vontades dos filhos camuflando a realidade financeira da família está desenvolvendo filhos sem limites e que vão acumular ao longo da vida muitas frustrações para lidar com negações. Já aqueles que falam de maneira transparente e dão bons exemplos, conseguem criar adultos preparados financeiramente e que conseguem superar as dificuldades impostas pela vida”, diz Maria Teresa.
“Os pais precisam transmitir às crianças que o Natal não é uma data apenas para ganhar presentes e que ela representa algo muito maior, como a união e a confraternização com a família. Esses valores são importantes para a formação da criança”, recorda a psicóloga.

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