domingo, 29 de março de 2015

Conheça 5 pais famosos e seus filhos especiais

Hoje você conhecerá quatro pais que ultrapassaram as barreiras do preconceito e da imaturidade.  Seus filhos fizeram com que eles enxergassem a humanidade de uma outra forma.
Paulo Silvino, ator, compositor e humorista
Paulo e Flávio Silvino (Foto: Rafael Campos, O Globo)
Paulo e Flávio Silvino (Foto: Rafael Campos, O Globo)
O filho de Paulo Silvino, Flávio Silvino, sofreu um acidente de carro em novembro de 1993, no auge de seu sucesso. A batida contra um carro-forte o deixou em coma por três meses e meio, com traumatismo craniano e perda de massa encefálica. Vinte anos após o acidente, Flávio ainda luta contra as sequelas. Há três anos, por causa de uma hidrocefalia, teve de ser operado para pôr uma válvula no cérebro.
“Foi a maior alegria que Deus pode ter me dado de ver o meu filho vivo. Lembro que ele saiu do coma rindo. Eu contei uma piada para ele, e ele riu. Agradeço sempre a Deus por todos os dias em que eu acordo, por mais um dia fazer parte dessa festa maravilhosa que é a vida. O importante na vida, é viver, respirar. Não há nada que pague uma boa respirada”, afirmou Paulo, sorrindo, para a jornalista da Revista Caras.
Marcos Mion, apresentador de televisão, ator e empresário
Marcos Mion e Romeo (Foto: Gente.ig)
Marcos Mion e Romeo (Foto: Gente.ig)
Pai de Romeo, 8 anos. Romeo tem um distúrbio de desenvolvimento que não se encaixa 100% no diagnóstico de autismo. Mion ainda é pai de Donatella, 5, e Stefano, 3 anos.
Veja o que disse Mion a respeito de seu filho autista (entrevista cedida a Folha de S. Paulo):
“Deus me deu um presente. Fui um dos escolhidos. Quem somos nós? Famílias abençoadas com uma criança especial.
Nunca tivemos um momento de desespero, de falar: ‘Meu Deus, e agora?’. Romeo é uma bênção. Aprendemos todos os dias ao conviver com uma criança que é amor puro. Você coloca os pés na terra dos valores reais.
Romeo é totalmente voltado para arte e tecnologia. É muito sensível. Crianças como ele estão aqui para nos ensinar. Sou guardião de um anjo. Somos os escolhidos.Eu sempre quis ser pai. Gosto de prover, de cuidar. Romeo é o elo mais forte da nossa família. A minha maior motivação para ser uma pessoa melhor é por ele e para ele. Sou eternamente grato a ele por ter escolhido a Suzana e a mim e ter abençoado nossa vida”
Diogo Mainardi, escritor, produtor, roteirista de cinema e colunista
Diogo Mainardi e seu filho Tito.
Diogo Mainardi e seu filho Tito.
Tito, filho de Mainardi,  foi vítima de um erro médico grosseiro que levou a umaparalisia cerebral. O menino, de 13 anos, tem sérias restrições motoras, que comprometem os movimentos das mãos e das pernas e também a fala. Além de Tito, Mainardi tem mais dois filhos.
Veja o que disse Mainardi ao Jornal Zero Hora, a respeito do seu livro “A Queda”, emocionante jornada ao lado do filho Tito:
“É uma declaração de amor, uma declaração do jeito que eu sei declarar. É a minha serenata para o meu filho. Não sou uma pessoa particularmente sentimental. Para compreender esse amor avassalador, quase inexplicável, novo para mim, tive de recorrer aos meus instrumentos, que eram todos de natureza intelectual, estética. Foi assim que eu consegui resumi-lo, explicá-lo para mim e tirar dele o máximo que podia.
Nossas expectativas são para amanhã de manhã, no máximo. Não tenho a ideia fantasiosa de que vamos triunfar sobre a deficiência. Não é um livro de superação. A nossa história não é uma história de superação. A gente não superou coisa nenhuma. Meu filho tem uma paralisia cerebral debilitante. Vivemos muito tranquilamente com isso, mas sem a ilusão de que ela foi vencida.”
Romário, ex-futebolista e político brasileiro
Romário e Ivy.
Romário e Ivy
Pai de Ivy e de mais cinco filhos, Romário diz que a pequena Ivy, que nasceu comSíndrome de Down, foi um grande presente.
Acompanhe o depoimento de Romário concedido a jornalista Ana Paula Padrão.
“Os primeiros 10 minutos da notícia que recebi quando a Ivy chegou foram duros, complicado. Logo eu, porque isso? Tive cinco filhos e porque essa veio especial? A ficha foi caindo e cheguei a conclusão de que faltava algo em minha vida para que eu me tornasse uma pessoa feliz, alegre.
As notícias sobre o assunto (nascimento de Ivy) não foram as mais razoáveis, as pessoas cochichavam sobre as características da síndrome, o mundo era outro. Alguns até acharam que eu esconderia minha princesa, mas, sendo um homem público, chamei uma coletiva para anunciar. Vamos falar sobre a síndrome de Down? Naquele mesmo ano, me despedi da Seleção Brasileira, com um gol contra a Guatemala, em um jogo de ampla cobertura da mídia, mostrei ao mundo que vestia a camisa da causa: “Tenho uma filhinha Down que é uma princesinha!” Foi assim, apresentando minha filha ao mundo que mudei muita gente, assim como mudei a mim próprio.
Hoje, por conta dessa maturidade, tenho me relacionado melhor e entendido melhor as pessoas.”
 Sebastião Salgado, fotojornalista conhecido mundialmente
Sebastião Salgado e sua esposa Lélia. (Divulgação/Ricardo Beliel)
Sebastião Salgado e sua esposa Lélia. (Divulgação/Ricardo Beliel)
Rodrigo, filho de Sebastião Salgado tem  Síndrome de Down.
Veja o relato do fotógrafo, concedido a TV BBC:
“Foi como se um trem tivesse passado em cima da gente. Foi totalmente inesperado e muito duro. Acho que ninguém está preparado para isso. A não ser quando você faz a aminiocentese e sabe que uma criança com Down vai chegar, o que não foi o nosso caso.
Minha vida mudou completamente. Eu tentei por todas as maneiras justificar que ele não tinha a síndrome, procurei fotos da Lélia que quando era criança tinha um olho meio puxadinho…A Lélia, muito antes de mim, por ter carregado ele por nove meses, já tinha aceitado o Rodrigo como ele era.
E a solução era entender que ele era o nosso filho e que você tinha que amá-lo profundamente, viver com o problema que não tinha solução e aceitar. Pelo menos no meu caso, levou dois anos para chegar a este nível de maturidade.Comecei a ver que ele tinha capacidades incríveis que os outros, ditos normais, não tinham. Ele tinha a normalidade dele.Ele me deu uma outra compreensão da vida, outra maneira de eu ver a humanidade, de me situar, de ver outras anomalias. A gente teve o direito a frequentar um outro universo que se eu tivesse ficado no mundo dos “normais” eu não teria conhecido. Foi muito rico para mim.”

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