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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Exposição de grávidas à poluição 'duplica risco' de autismo em bebês


Um estudo da Escola de Saúde Pública de Harvard sugere que o risco de autismo em crianças duplica nas famílias cujas mães passaram muito tempo expostas à poluição durante a gravidez.
A pesquisa - que analisou 1.767 crianças, 245 com autismo e 1.522 sem - sugeriu que partículas de poeira, carbono e outros compostos químicos, que prejudicam várias partes do corpo, podem passar do pulmão para a corrente sanguínea da mãe, e daí para o bebê.
O estudo não estabelece uma relação causa-consequência definitiva entre autismo e exposição à poluição na gravidez, pois outras pesquisas indicam que existe um grande componente herdado na condição, além de outros fatores.
Mesmo assim, o pesquisador que coordenou a investigação, Mark Weisskopf, disse que existem elementos "crescentes" para unir as duas coisas.
"A especificidade das nossas conclusões, em especial no que se refere ao terceiro trimestre da gravidez, descarta muitas outras possíveis explicações", afirmou.
"Isso não só oferece uma pista importante sobre como investigar a origem do autismo, mas nos abre uma porta para pensar em medidas preventivas no sentido de evitar que as gestantes não fiquem tão expostas à poluição."

Poeira letal

Comentando o estudo, o diretor de pesquisas sobre o meio ambiente do King's College, em Londres, Frank Kelly, elogiou as conclusões do trabalho de Harvard.
"Se fosse apenas um estudo eu não prestaria muita atenção, mas este é o quinto que chega à mesma conclusão", afirmou.
Ele observou que a passagem de partículas de poluição do corpo da mãe para o do bebê "é biologicamente possível" por causa da placenta.
"Se compostos químicos estão entrando no corpo da mãe, o feto pode entrar em contato com eles também", disse.
A poluição do ar causa cerca de 3,7 milhões de mortes por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde.
O estudo foi publicado na publicação científica Environmental Health Perspectives.

Google participa de estudo para entender causas genéticas do autismo


O Google se engajou em uma causa nobre, que poderá ajudar a entender um problema que atinge tantas famílias pelo mundo. A empresa de buscas vai ajudar a analisar o genoma humano para tentar buscar pistas para as causas genéticas causadoras do autismo.
O anúncio foi feito pelo grupo Autism Speaks, que defende os portadores deste transtorno. Segundo o comunicado, o Google sequenciará o genoma 10 mil pessoas dentro do espectro do autismo e seus familiares. Em seguida, analisará e indexará as informações.
Estes dados serão repassados a pesquisadores, que poderão caçar as variações de DNA que podem indicar as origens do autismo.
O projeto deverá utilizar o Google Genomics, ferramenta lançada há alguns meses na plataforma de nuvem da empresa. Pelo fato de o sequenciamento genético ter se tornado muito barato nos últimos anos, é possível concluir o projeto com o custo de apenas US$ 2,5 mil.
Não será a primeira vez que o Google se aventura no ramo de saúde e medicina. A empresa já enveredou em pesquisas contra o mal de Parkinson e o câncer, mas sequenciamento genético é algo que tem mais a ver com as raízes tecnológicas da empresa. Afinal de contas, a companhia se tornou notável por conseguir reconhecer padrões no caos que é a internet, e agora está usando essa habilidade para tentar transformar a bagunça que é a genética humana em informação útil.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Como ensinar o conceito de tempo a crianças com Autismo

Time
O conceito de tempo é fundamental na nossa vida. As mudanças de estação (que aqui no Brasil não são sentidas com tanta intensidade), os períodos do dia e as tarefas próprias de cada horário (café da manhã, almoço, jantar, hora de dormir e de ir para escola) são questões comuns a vida de cada um de nós e precisa ser compreendida.
Pensando na criança com Autismo, a ausência do conceito de tempo pode gerar comportamentos indesejados e situações desafiadoras para os pais e familiares. Sendo assim, separamos as sugestões de Penina Rybak, uma especialista em Autismo, e acrescentamos algumas outras ideias de como ensinar e trabalhar com os pequenos o conceito de tempo.
Brinquedos e a tecnologia (por que não?) aparecem como facilitadores desse processo. O conceito de tempo vai ajudar na compreensão e na causalidade dos fatos; a entender o tempo sequenciado dos movimentos e das conversas (entenda aqui conversas e narrativas). Utensílios domésticos e fotos digitais podem ajudar na compreensão do antes e depois; do começo, meio e fim que indicam a passagem o tempo.
Aqui estão algumas sugestões:
– Escolher livros de histórias e chamar atenção para o começo, o meio e o fim; revendo sempre a sequência dos fatos.
– Atividades de arte também são excelentes escolha porque têm um produto final e etapas para sua realização. A arte pode até ser exposta em casa ou na internet para os parentes e amigos mais distantes.
– Atividades de culinária que têm um produto final também são ótimas para o conceito de tempo.
Fato: como as atividades de arte e a culinária dependem de um tempo para seguirem para o próxima etapa e serem finalizadas, um cronômetro pode ajudar, tornando esse tempo “mais concreto” e ajudando as crianças.
– Assistir um vídeo ou filme, parar em intervalos regulares para rever e discutir a ordem dos eventos.
– Nos lugares onde o Outono mostra “suas folhas”, uma brincadeira na pilha de folhas ao ar livre pode ser registrado. O antes e depois de jogar pode ser clicado!
É válido usar a tecnologia, os aplicativos que usam algumas das atividades, como as descritas acima, para ajudar também no aprendizado do conceito de tempo. Aqui no reab.me já mostramos o Buddy’s Time, um app que tem uma proposta neste sentido. Clica aqui e confere!
buddy
Aprender o conceito de tempo é um dos passos necessários para aprender sobre a causalidade. Causalidade envolve previsões de resultados. Previsões se fazem com base em uma ação emocional ou ação física no ambiente. Ou seja, tudo está interligado e garante um bom funcionamento no cotidiano. Nas crianças essas habilidades estão relacionadas ao aprendizado as regras, a programação do dia e a fazer inferências sobre isso.

Autismo: como uma mãe melhorou a vida do seu filho pela alimentação



Claudia Marcelino foi doceira por 16 anos, até que descobriu na dieta sem glúten, sem lactose e sem aditivos químicos, uma aliada no tratamento do autismo do seu filho Mauricio. Claudia então passou a dedicar-se inteiramente à construção de uma nova rotina para sua família, com hábitos alimentares completamente diferentes. Hoje, a estudante de Nutrição da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), comemora a recente vitória contra o monstro do vestibular, mais uma forma de se aprimorar e continuar na luta pela melhoria de vida do seu filho e de outras crianças autistas. Responsável pelo site “Desvendando o Autismo”, do blog “Cozinha sem glúten e sem leite” e autora do livro “Autismo: Esperança pela Nutrição – Historia de Vida, de Lutas, Conquistas e Muitos Ensinamentos”, Claudia Marcelino compartilha com os leitores da Anna Ramalho alguns de seus conhecimentos.
Como você descobriu que a alimentação era importante no tratamento do autismo?
Através de informações de pais passadas em grupos de discussão sobre autismo na internet. Meu filho até os 16 anos foi tratado de forma convencional, com medicação psicotrópica e tratamento terapêutico multidisciplinar, mas não estava satisfeita com os resultados. Então comecei a ler e vi que tinha alternativas. Resolvi tentar para ver se teria resultados melhores.
Quais são as restrições e permissões alimentares do seu filho Maurício?
Comecei em 2007 retirando glúten, caseína, soja, aditivos químicos corantes e conservantes. Passei a oferecer a ele uma dieta mais saudável, a mais natural possível, à base de grãos, legumes, verduras, frutas, carnes, oleaginosas, sementes e leites vegetais. Fazia a maior parte de todos os seus alimentos em casa. Com a melhora do quadro e com o organismo mais limpo, passei a perceber que ele reagia comportamentalmente com um quadro de alergia cerebral, que está bem explicado em um post do meu blog “Sinos de Vento”. Aí vários outros alimentos tiveram que ser retirados, reforçando com outros que ele não reagia e ricos nutricionalmente como o abacate, o inhame, os caldos de carne e peixe e sementes germinadas.
Quais as melhoras observadas no comportamento e na saúde do Maurício com a alimentação regrada?
No final de 2012 ele não apresentou mais nenhum sintoma de alergia cerebral, como agitação, agressividade, espasmos musculares, entre outros. Isto graças à melhora do seu sistema imunológico. Ele também não toma mais nenhuma medicação psicotrópica, o que é difícil de ser visto quando se trata de autistas adultos clássicos e severos. Ele teve ganhos nas três áreas que a síndrome compromete: socialização, imaginação e interesse, além dos ganhos na área da saúde. Sua escala de comprometimento avaliada pelo questionário “ATEC – Checklist de Avaliação do Tratamento do Autismo”, baixou em mais de 30 pontos. Estes são resultados muito animadores, pois estamos falando de um autista clássico, severo, adulto. Nesta fase o tratamento costuma estar bem estável, sem ganhos significativos e com muitos casos de bastante comprometimento até pela falta de tratamento adequando na infância.
Por que cortar o glúten, o leite animal e os aditivos químicos?
O assunto é bem complexo, envolve vários sistemas metabólicos. Não é apenas uma questão de alergia ou intolerância. Hoje temos fortes evidências através de pesquisas científicas que o autismo é uma espécie de inflamação cerebral. A alimentação ajuda a diminuir esta inflamação, dando chances para uma recuperação maior das funções cerebrais.
Você lançou o livro “Autismo: Esperança pela Nutrição”. Como a comunidade médica no Brasil vê a questão alimentar no tratamento do autismo?
No geral o entendimento da classe médica ainda é zero, impressionante! Ainda estão esperando comprovação científica com grupo controle e testes placebo para um posicionamento, e isto talvez nunca aconteça pelo simples fato de que não consumimos pílulas! Sabemos exatamente o que estamos comendo e a comida sem glúten por mais gostosa que seja, é diferente da comida com glúten, não dá pra comer enganado, como é no teste com placebo. Não dá para o grupo de controle não saber o que está consumindo. Além do mais, todos os testes com grupos de controle e placebo demandam pouco tempo para exibir o resultado da pesquisa, cerca de um mês. Pra medir o resultado da dieta é necessário no mínimo 8 meses. Fica inviável financeiramente e quem banca pesquisa científica não produz comida, e sim pílulas, por isso a falta de interesse! Todos os princípios justificáveis para a utilização de uma dieta específica para autistas estão em livros de biologia, fisiologia, imunologia, biologia molecular. A solução para tratar pela alimentação é saber que tipos de problemas os autistas costumam apresentar, saber os exames que devem ser feitos, pegar o resultado das pesquisas clínicas e estudar como aplicar e direcionar para cada caso. Felizmente os grupos de discussão e ajuda para pais estão crescendo, os congressos estão acontecendo, as boas informações estão mais acessíveis e os pais estão mais exigentes. Isto tudo faz com que médicos busquem caminhos que estão sendo sinalizados e, aos poucos, mais médicos estão indicando uma dieta específica.
Além da alergia alimentar, quais são os outros agravantes e causadores de autismo?
Tem artigos e mais artigos científicos apontando para mercúrio e metais pesados devido à predisposição genética de dificuldade de desintoxicação, vírus, bactérias, parasitas, fungos, poluição, falta de nutrientes como vitamina D, zinco e outros, diversos fatores ambientais, doenças autoimunes.
E o que pode auxiliar no alívio dos sintomas da síndrome?
Sempre um tratamento em conjunto de fatores biológicos aliado a terapias comportamentais, sensoriais e sociais.
O autismo tem cura?
Não, não tem cura. Tem recuperação. A pessoa pode melhorar muito a sua condição, podendo levar um vida plena de tributos e prazeres como qualquer pessoa típica.
Qual a dica que você daria para os pais que estão na dúvida ou confirmaram o diagnóstico de autismo em seu filho?
Comprem o meu livro e tratem-no da forma mais natural possível. A alimentação pode sim fazer uma enorme diferença no quadro do autismo.
Sites com conteúdo produzido por Clauda Marcelino:
  • http://dietasgsc.blogspot.com
  • http://claumarcelino.blogspot.com
  • http://twitter.com/Clau_Marcelino
  • http://sites.google.com/site/desvendandooautismo

domingo, 2 de novembro de 2014

Estudo revela que autismo está ligado a até 33 genes

Foto: BBC
Um enorme estudo internacional começou a desvendar os "pequenos detalhes" da razão de algumas pessoas desenvolverem autismo, informaram pesquisadores. Eles observaram milhares de amostras de DNA de crianças com autismo e de seus pais.
Os resultados, publicados na revista científica Nature, constataram que até 33 genes estão envolvidos no desenvolvimento da condição.
A National Autistic Society (NAS), no Reino Unido, no entanto, afirmou que ainda há "um longo caminho" para a descoberta das causas do autismo.
O estudo sugere haver uma série de diferentes fatores de risco para a doença, de acordo com o autor principal, professor Joseph Buxbaum, do Icahn School of Medicine at Mount Sinai New York.
"O gatilho é a genética - mas há um monte de diferentes possíveis causas", disse Buxbaum.

Análise do DNA

O autismo é um transtorno que afeta a capacidade das pessoas de se socializarem.
Os pesquisadores avaliaram 15.480 amostras de DNA para determinar o impacto de mutações genéticas passadas de pai para filho, bem como as que surgem espontaneamente.
Dos até 33 genes ligados ao autismo, 7 genes são completamente novos para os cientistas (em sua conexão com o autismo), enquanto 11 não eram considerados risco real devido à falta de dados. Do total, 15 genes já eram conhecidos como potenciais propagadores da condição.
O estudo também afirma que mutações genéticas pequenas, raras, em 107 genes podem contribuir para o risco de autismo.
Mais de 5% das pessoas autistas estudadas apresentaram mutações genéticas (com perda de funções nos genes) não herdadas.

'Detalhe mais fino'

O estudo deve ajudar a melhorar a compreensão de algumas das causas do autismo, disse o professor David Skuse, chefe da equipe de distúrbios da comunicação social, no Great Ormond Street Hospital, em Londres, e um contribuinte para o relatório.
"Até agora, nós realmente não fomos capazes de compreender os mecanismos que levam ao autismo", disse ele. "Este (estudo) chegou a pequenos detalhes".
Skuse acrescentou que o estudo poderia começar a ajudar as famílias a entender o autismo. A National Autistic Society (NAS) disse que havia muitas lacunas no conhecimento do tema.
Carol Povey, diretora do Centro para Autismo do NAS, disse: "O autismo vem de uma relação altamente complexa de genes que não apenas interagem com outros genes, mas também com fatores não-genéticos também".
"Pesquisas como esta nos ajudam a entender a genética envolvida em algumas formas de autismo e abrem a possibilidade de famílias obterem uma melhor compreensão da condição", disse ela.
"No entanto, ainda estamos muito longe de saber o que causa o autismo. O que as pessoas com a doença, suas famílias e cuidadores precisam, acima de tudo, é de acesso agora para o tipo certo de apoio, para serem capazes de levar uma vida plena", acrescentou