sexta-feira, 8 de maio de 2015

Crianças comem mais quando estão tristes, diz estudo


Pesquisa realizada com crianças entre cinco e sete anos mostrou que situações de aborrecimento e stress podem induzir à alimentação excessiva

Crianças com cinco a sete anos de idade tendem a comer mais quando sentem-se tristes. É o que mostra um novo estudo publicado pela revista científica The American Journal of Clinical Nutrition. O trabalho, realizado por três psicólogas da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, revelou que as crianças podem comer em excesso quando estão aborrecidas, especialmente se sua família costuma utilizar a comida como forma de recompensa.
As pesquisadoras afirmam que comer durante situações de tristeza e de stress não é uma ação comum do comportamento humano. Pelo contrário, esse tipo de situação normalmente induz à falta de apetite. Isso significa que os resultados do estudo mostram que as crianças que reagiram à tristeza e ao stress exagerando na comida provavelmente aprenderam a ter esse tipo de comportamento por causa da educação que receberam em casa.
Para chegar ao resultado, as pesquisadoras dividiram as crianças em dois grupos e pediram para que cada um deles colorissem uma imagem. Ao terminarem a tarefa, elas receberiam um brinquedo de presente. As psicólogas, porém, não deram a quantidade de lápis de cor necessária a um dos grupos para a conclusão dos trabalhos. Isso criou uma situação de stress e frustração entre as crianças. Enquanto as pesquisadoras fingiam procurar os lápis para entregar ao grupo, todas as crianças tiveram acesso a guloseimas na sala de atividades.

Inclusão da deficiência na educação superior – caminhos possíveis

A Organização Mundial da Saúde estima que aproximadamente 650 milhões de pessoas apresentam deficiências, com a maioria delas, cerca de 80% da população identificada acima, vivendo em países em desenvolvimento (Karr, 2011). Apesar disso, as deficiências ainda não fazem parte das linhas de pesquisa regulares, como acontece com as questões raciais, de gênero ou de etnia (Grech, 2011). O tema continua a ser relegado a linhas marginais, quando se trata de aspectos do planejamento e elaboração de políticas.
Em resposta a essa discriminação e marginalização vivida por pessoas com deficiência, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência das Nações Unidas (UNCRPD*, 2006) estipulou a necessidade de incluir o estudo deste assunto como parte de qualquer plano de desenvolvimento sustentável. O artigo 24 da UNCRPD afirma que é necessário prover medidas adequadas nos ambientes educacionais para maximizar o desenvolvimento acadêmico e social, consistente com a meta de total inclusão, de forma a:
“Favorecer a atitude receptiva em relação aos direitos das pessoas com deficiência e promover uma percepção positiva e maior consciência social, para todas as crianças e em todos os níveis de educação, do respeito às pessoas com deficiência” (UNCRPD, 2006).
Países que assinaram a convenção receberam a responsabilidade de fazer políticas inclusivas e alocar recursos em busca de alcançar esse intuito de tornar a deficiência aceita em todos os setores da sociedade.
Atendendo a essa exigência, o governo da África do Sul tem criado várias políticas que promovem as metas da UNCRPD, consagrando os direitos das pessoas com deficiência à participação igualitária na sociedade em que se vive. Essas políticas incluem a Proposta de Estratégia Nacional Sul-Africana Integrada para a Deficiência (INDS; elaborada pelo Gabinete do Vice-Presidente, 1997), o Ato para Equidade de Emprego (EEA; elaborada pelo Ministério do Trabalho Sul-Africano, 1998) e Proposta para Educação 6 sobre as Necessidades Educativas Especiais e Construção de uma Educação Inclusiva e Sistema de Treinamento (elaborada pelo Ministério da Educação Sul-Africano, 2001).  Essas políticas esforçam-se para criar uma cultura de respeito, dignidade, participação igualitária e acesso a recursos para todos os cidadãos, considerando a história única e a diversidade que existe dentro do contexto sul-africano.
Apesar desse problema ser uma questão atual e proeminente em várias instituições de ensino superior (IES), elas têm, essencialmente, negligenciado a inserção da deficiência na maior parte dos debates sobre o assunto. Barnard e Lan (2007, p. 2) referem-se ao problema quando afirmam: “é irônico que nossa visão de diversidade seja tão limitada que raramente inclua as deficiências”. Os autores vão além, ao declarar que essa presença mínima deste conceito e a diminuta voz das pessoas com deficiência na questão “é ainda mais notável no currículo do ensino superior” (Barnard e Lan, 2007, p. 3). Se os estudantes se formam sem se envolver com tal tema nos programas de curso e só percebem tais pessoas como alguém que precisa de ajuda, como essas pessoas poderão ser vistas como iguais a seus pares (Bryen e Shapiro, 1996)? Mathews (2010, p. 527) propõe que um dos caminhos para se abordar este ponto deve ser a sua introdução como “um tópico, uma ideia, uma categoria de análise, uma reivindicação histórica” dentro dos currículos.
Em uma tentativa de enfrentar as barreiras e criar uma cultura mais inclusiva, o vice-reitor da Universidade da Cidade do Cabo (UCT), Dr. Max Price, direcionou o desenvolvimento de objetivos estratégicos para lidar com os atuais desafios da África do Sul. A UCT visa que seus graduados obtenham qualificações reconhecidas internacional e localmente, apoiadas em valores relativos à cidadania engajada e à justiça social, enquanto promove a diversidade e a transformação dentro e fora da instituição (UCT Research Reports, 2008). Os funcionários e estudantes vêm de mais de 100 países, o que contribui para a diversificação da universidade. A UCT tem aproximadamente 26 mil estudantes em seis faculdades, centros de desenvolvimento do ensino superior (CDES) e na Escola de Graduação em Administração (EGA).
Dois dos objetivos estratégicos da UCT são: 1) elevar a qualidade e o perfil dos estudantes da UCT e 2) expandir e aumentar a contribuição da universidade para a resolução dos desafios da África do Sul (UCT Strategic Plan, 2009). Tais objetivos influenciaram o projeto de pesquisa DIRECT. Sua meta era de descobrir se a deficiência estava inserida nos programas e como tal inserção estava ocorrendo. Tinha como quadro de referências os direitos humanos e a justiça social. Baseadas nos resultados, certas recomendações foram apresentadas às faculdades, conforme discutido no próximo tópico.
As conclusões foram classificadas em quatro temas:
a) Compreensão da deficiência – as principais ideias sobre a inclusão das pessoas com deficiência estavam relacionadas ao modelo médico ou ao social. Professores que atuam no modelo médico frequentemente ensinavam como “consertar” e administrar os impedimentos que uma pessoa tenha, enquanto os que praticavam o modelo social ensinavam principalmente sobre as barreiras individuais, sociais e, por vezes, ambientais, para a participação.
b) Foco/práticas de inclusão – a deficiência era vista como uma questão “adicional”, que poderia ser abordada, e não como parte das exigências disciplinares, em algumas faculdades. Isso significa que o tema era majoritariamente incluído de uma maneira ad hoc, de acordo com o interesse do professor.
c) Contexto político – visto a partir de quais especificidade das políticas sobre as deficiências seriam discutidas em sala de aula.
d) Experiência de inclusão – o corpo acadêmico enfrenta um certo número de desafios ao incluir a deficiência, e seu entendimento frequentemente é influenciado por ‘quando’ e ‘qual’ especificidade seria incluída em sua disciplina. Além disso, pesavam questões relacionadas à disponibilidade das estruturas organizacionais de suporte, à gestão que os professores faziam de seu tempo e à sobrecarga de trabalho, para citar algumas.
Esse estudo não teve foco nas pessoas com deficiência, mas em como o conceito era ensinado e pesquisado dentro dos programas das faculdades. O estudo visava a divulgação do campo de pesquisa. Assim, as recomendações dadas abaixo vieram de três áreas – 1) discussões com os participantes sobre o que poderia ajudá-los a utilizar o conceito de deficiência em suas disciplinas e pesquisas; 2) experiências de pesquisadores como profissionais ligados ao assunto e 3) literatura básica relevante na inclusão dessas pessoas. A primeira questão a ser discutida é a das atitudes.

Recomendações
As atitudes, valores e ideias que as pessoas relatam sobre a deficiência frequentemente influenciam como as pessoas se comportam sobre o tema. Não é desprezível o efeito prejudicial das atitudes negativas sobre as pessoas com deficiência, tanto que estas foram identificadas como uma das principais barreiras para se abordar a questão (WHO, 2011). Os participantes do presente estudo muitas vezes se sentiram isolados, sem conhecer outros acadêmicos que incluíssem o conceito em suas disciplinas ou pesquisas. Os entrevistados indicaram que a criação de um espaço inclusivo que torne a deficiência ‘visível’ poderia ajudá-los a difundir o assunto. Workshops e seminários anuais ou semestrais sobre o tema possibilitariam tal conquista. Colaborações interdisciplinares deveriam ser encorajadas nas equipes, dentro da universidade, e pessoas externas deveriam ter a oportunidade de mostrar seus trabalhos, criando a consciência da necessidade de abordar a falta de conhecimento sobre o problema, o que poderia ter impactos nas atitudes das pessoas.
Esse tipo de seminário foi planejado e realizado mensalmente pelo Programa de Estudos sobre a Deficiência, para disseminar resultados de pesquisas relacionadas ao tema. Foram convidados a participar o corpo acadêmico da universidade e de outras IES. Palestrantes de outras instituições e de organizações não-governamentais (ONGs) foram chamados para compartilhar seu trabalho. Os seminários criaram uma plataforma para o debate das práticas, questões e políticas atuais sobre a deficiência. Estudantes de pós-graduação de várias faculdades apresentaram suas teses e não só receberam feedbacks relevantes, como também tiveram a chance de formar uma rede, conectando-se a pessoas que fazem trabalhos em áreas similares. Desse modo, as atitudes foram impactadas ao se construir uma comunidade de práticas sobre a inclusão.
Ao incluir a deficiência em seus programas, as faculdades precisam se esforçar para ter um conceito que transcenda os modelos médico e social e outras perspectivas “conhecidas” sobre o assunto. Há a necessidade de explorar outros quadros referenciais para entender o tema, incluindo marcos indígenas que possam estar presentes. Um exemplo é o uso da filosofia africana do “Ubuntu” como paradigma de compreensão desta questão no contexto do país. Ubuntu é um sistema de crenças local que coloca a humanidade no centro de todas as atividades ou ações. O bem maior da coletividade é colocado acima de qualquer aspiração individual e egocêntrica, colocando a compaixão e a dignidade humana em primeiro lugar (Malisa, 2011; Higgs and Van Wyk, 2007; Nussbaum, 2003). De acordo com tal filosofia, todos são importantes, relevantes e inter-relacionados. Ao reduzir os outros, reduzimos a nós mesmos. Então, ao não se dar espaço para a inserção da deficiência, também sofremos impactos em nosso próprio desenvolvimento. Dessa forma, indagar sobre o tópico por diferentes perspectivas enriqueceria a experiência da diversidade nos programas universitários, o que construiria uma sociedade mais inclusiva e igualitária.
Os programas universitários estudados tinham uma gama de temas sobre a diversidade inseridos por seus vários departamentos. Os participantes abordaram ao menos um tópico sobre o assunto em suas aulas e/ou pesquisas, mas frequentemente sentiram ser inadequado incluir as deficiências (Ohajunwa e Mckenzie, 2013). Elas foram frequentemente vistas como algo para o qual se necessita de treinamento extra. É importante que a questão seja reconhecida como um desses temas, tanto quanto raça, sexualidade, idade, cultura etc. A deficiência é uma parte da essência do ser humano. Então, ao planejar uma grade curricular abrangente para cada disciplina, ela deveria figurar entre os conceitos abordados.
A diversidade também precisa ser facilitada por meio do recrutamento de funcionários com deficiência e do aumento potencial do ingresso de alunos com deficiência. A unidade de serviços para a deficiência da UCT dá suporte a esse processo ao assegurar que a acessibilidade seja desenvolvida. Estudantes e funcionários recebem assistência para a vida universitária. E a experiência de estar em uma IES não é benéfica apenas para a pessoa com deficiência. Pesquisas mostram que essa experiência promove uma cultura inclusiva já que contribui para o “desenvolvimento pessoal entre as pessoas sem deficiência” (May, 2012, p. 241; O’Connor, Kubiak, Espiner & O’Brien, 2012).
Não é apenas o desenvolvimento pessoal dos funcionários e estudantes nas IES que devem ser impactados, mas o da organização da instituição. A inserção do debate sobre a deficiência nas atividades de integração social deve ser aumentada. Certos incentivos devem ser dados pelos projetos e serviços inovadores de ensino e pesquisa na área, como parte da sensibilização social.
Esses incentivos e sistemas de suporte só acontecem com a criação de políticas progressivas e relevantes que encorajem uma cultura inclusiva. As lideranças universitárias devem estar engajadas na criação e implementação de políticas que dizem respeito à deficiência. Os participantes desse estudo indicaram que eles incluíram o tema de forma ad hoc principalmente por causa de sua sobrecarga e da pressão dos prazos. Eles afirmaram que, pelo fato de não fazer parte dos requisitos disciplinares, inseri-lo era uma ‘tarefa adicional’ para eles (Ohajunwa, Mckenzie, Hardy e Lorenzo, 2014). Uma liderança universitária engajada no nível das faculdades pode levar a mudanças programáticas que deem suporte aos acadêmicos para incluir a deficiência porque, afinal, é uma questão de diversidade.
A projeto DIRECT pode ser realizada em qualquer IES para construir indicadores de base para o tipo de ensino e pesquisa sobre deficiência que já foi feito ou está sendo realizado na instituição. Isso não só realçaria as boas práticas e ajudaria a planejar resultados, como também divulgaria as políticas sobre o assunto. Unida a essa questão de informar resultados está a necessidade de explorar as perspectivas do ensino e aprendizagem dos estudantes com deficiência dentro da instituição. Essas perspectivas contribuirão para compreender a experiência vivida por eles. Também ajudará, espera-se, a abordar os problemas do estigma e dos estereótipos, desenvolvendo tais valores nos graduandos das IES.
Em conclusão, o tema da inclusão da deficiência não aparece sem desafios e precisa, certamente, de reflexão e revisão constante. O contexto também desempenha um papel importante. Entretanto, é imperativo que ela seja colocada em pauta nos níveis da instituição, das faculdades e dos departamentos. Essa necessidade é fundamental para o avanço e a sustentabilidade das práticas inovadoras relacionadas à pesquisa e ao ensino sobre o conceito. As IES precisam entender que a inserção da deficiência como tópico de estudo não é uma questão de escolha, mas de direitos humanos e da diversidade. Considerando o impacto resultante nos graduados e na esfera social como um todo, a inclusão da deficiência se torna imperativa.

A terceirização e a Lei de Cotas


A terceirização traz riscos à lei de cotas, às CIPAS, aos SESMTS, à aprendizagem profissional e à prevenção de acidentes de trabalho.
A Lei de Cotas que garante reserva de vagas aos trabalhadores com deficiência pode estar com os dias contados para perder seus efeitos, caso for aprovado no Senado o texto do PL 4330 aprovado na Câmara e que escancara a terceirização para qualquer atividade e em qualquer empresa.
E o cálculo é muito simples: atualmente a lei de cotas pode garantir emprego a 1,1 milhão de pessoas com deficiência, já computado o efeito da Lei Brasileira da Inclusão, relatada pela Deputada Federal Mara Gabrilli e aprovada na Câmara dos Deputados em 05/03/2015.
A própria Deputada Mara Gabrilli votou duas vezes contra o projeto da terceirização, no mês de abril quando ele entrou em pauta. Coerente com a defesa da lei de cotas ela viu no PL 4330 um “tiro no pé” dos direitos das pessoas com deficiência, que ficarão mais longe do mercado formal de trabalho.
Como a lei de cotas está baseada em reserva de vagas de acordo com a faixa de trabalhadores diretos das empresas, à medida que os serviços são terceirizados restringe-se a obrigatoriedade da reserva legal, prejudicando toda a coletividade trabalhadora.
Além do prejuízo à lei de cotas, o PL 4330 produz impactos negativos no funcionamento das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes de Trabalho – CIPAS, no Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho – SESMTS, cujo dimensionamento estão calculados sobre o número de empregados diretos das empresas, agravando ainda mais os riscos de acidentes de trabalho e doenças profissionais nas empresas brasileiras.
O PL 4330 é tão ruim que provoca efeitos negativos até na formação profissional dos jovens brasileiros, porque como existe uma regra das empresas terem que propiciar aprendizagem profissional (5% a 15%) sobre os trabalhadores cujas profissões exigem formação prévia, na terceirização eles desaparecerão ou diminuirão, deixando as escolas do Sistema “S” (SENAI, SENAC, SENAR, SENAT, SESCOOP) esvaziadas e sem alunos que deveriam estar ali mantidas pelas empresas.
É preciso dizer também que a aprovação do PL 4330/2004 vai contra a Agenda do Trabalho Decente preconizada pela OIT (organização Internacional do Trabalho), a qual também foi aprovada pelo Congresso Nacional, para que o Brasil passasse a ser signatário.
Não é só a lei de cotas que está em risco com o PL 4330. A terceirização fragiliza a negociação coletiva, retira direitos, achata o poder aquisitivo dos trabalhadores e precariza as relações de trabalho.

Cabeleireiro cria salão móvel em van para atender pessoas com deficiência

Salão de beleza delivery:
  • Serviço percorre o Distrito Federal para atender deficientes físicos
  • Com investimento baixo, empreendedor triplicou faturamento
  • Clientes aprovam comodidade e evitam inconvenientes
  • Consultora diz que negócio requer investimento em marketing
Após ouvir de um cliente cadeirante que era a sexta vez que tentava entrar em um salão de beleza, mas não conseguia –por causa da falta de acessibilidade–, o empresário José Valente, 44, decidiu criar um serviço itinerante para deficientes físicos, o Acessibilidade Cabeleireiro Delivery.
O empresário José Valente, 44, criou um serviço de cabeleireiro itinerante para atender deficientes físicos no DF, o Acessibilidade Cabeleireiro Delivery. Foto: Jéssica Nascimento/UOL
O empresário José Valente, 44, criou um serviço de cabeleireiro itinerante para atender deficientes físicos no DF, o Acessibilidade Cabeleireiro Delivery. Foto: Jéssica Nascimento/UOL
A van adaptada percorre todo o Distrito Federal e conta com equipamentos profissionais que podem ser encontrados em um estabelecimento comum, desde o lavatório até os acessórios. Essa infraestrutura, segundo ele, é o que diferencia seu negócio do serviço prestado por cabeleireiros que atendem nas casas informalmente. Corte, pintura e hidratação são alguns dos serviços oferecidos.
O investimento total foi de R$ 60 mil. Segundo José Valente, o faturamento triplicou em relação ao período em que trabalhava em um salão de beleza. “Atendo cerca de 30 clientes por mês, o que dá R$ 4.500. Não há concorrência, pois sou o único do DF que vai de van até a casa das pessoas para prestar o serviço”, diz. No salão, ele faturava R$ 1.500. A van funciona há apenas nove meses.
O cabeleireiro diz que há uma relação de confiança entre ele e os clientes. “Atendo pessoas com diversas deficiências, algumas que não conseguem nem sair da cama. Corto, faço mexas nos cabelos e hidrato. Todo o serviço é feito com muito carinho. Muitas vezes, viro parte da família.”
Cadeiras adaptadas, tesouras, secadores, produtos químicos e até um lavatório são levados na van. A água vem de um galão, que também é transportado. “Levamos também um aspirador para limpar os cabelos cortados que ficam no chão. Nossa missão é levar praticidade e conforto para os clientes”, afirma.
Serviço evita situações constrangedoras, diz cliente
O estudante Leonardo Alencar, 27, é cadeirante há seis anos. Em uma brincadeira com amigos, ele pulou em uma piscina e bateu a cabeça no fundo, fraturando uma vértebra. Desde então, o jovem sofre dificuldades quando precisa ir até um salão de beleza para cortar o cabelo. Ele diz que não há rampas nos estabelecimentos da região.
O empresário José Valente prepara os cabelos do cliente Leonardo Alencar, que é cadeirante há seis anos. Foto: Jéssica Nascimento/UOL
O empresário José Valente prepara os cabelos do cliente Leonardo Alencar, que é cadeirante há seis anos. Foto: Jéssica Nascimento/UOL
“Quando tenho que ir sozinho, preciso da boa vontade das pessoas. A maior dificuldade é ter que sair da cadeira de rodas para sentar na do salão. É bem complicado, as pessoas não se preocupam com acessibilidade”, diz o jovem.
Quando soube do serviço, Leonardo logo telefonou para Valente. “Achei a iniciativa maravilhosa, nunca tinha pensado nisso. Além de evitar situações constrangedoras, é bem mais confortável cortar e lavar o cabelo dentro da minha própria casa.”
Empreendedores Delivery devem investir mais em marketing
De acordo com o Sebrae (Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa), levar os serviços de beleza aos consumidores tem se mostrado um novo nicho de mercado. Pessoas com necessidades especiais, executivas, mães com crianças pequenas e idosos são clientes potenciais desses serviços e se mostram interessados na comodidade.
O empresário José Valente lava os cabelos do cliente no lavatório adaptável à altura da cadeira; o equipamento é levado até o local de van, junto com o galão de água, de onde sai a mangueira. Foto: Jéssica Nascimento/UOL
O empresário José Valente lava os cabelos do cliente no lavatório adaptável à altura da cadeira; o equipamento é levado até o local de van, junto com o galão de água, de onde sai a mangueira. Foto: Jéssica Nascimento/UOL
A coordenadora nacional do Sebrae Andrezza Torres, no entanto, ressalta que os empreendedores delivery devem se preocupar mais com a divulgação do serviço, pois, de maneira geral, não há um ponto de atendimento (loja) que facilita a atração de clientes espontâneos, que passam em frente ao local.
Segundo a consultora, também é necessário cumprir e esclarecer aos clientes todas as normas de segurança seguidas. “Mesmo que o serviço seja realizado na casa ou trabalho do cliente, é necessário que se tenha uma base de operação onde os materiais serão esterilizados e higienizados.”

‘Enxergo a beleza pelos sons’, afirma jovem cego que toca 7 instrumentos

Luan Fadel, de 13 anos, mora em Guarapuava e não enxerga desde bebê. Ele pratica esportes, interage na internet e pretende cursar direito.
Dos primeiros dias de vida até hoje, aos 13 anos, Luan Fadel dá exemplos de superação. Cego, o adolescente de Guarapuava, na região central do Paraná, toca sete instrumentos musicais. No piano, sua paixão desde criança, ele vai de Ballade pour Adeline a Avicii. Luan também canta, inclusive em inglês. “Enxergo a beleza através dos sons”, explica.
Exemplo de superação: Luan toca sete instrumentos musicais (Foto: Luan Fadel/Arquivo pessoal)
Exemplo de superação: Luan toca sete instrumentos musicais (Foto: Luan Fadel/Arquivo pessoal)
O adolescente tem quase todos os instrumentos que toca: piano, violão, guitarra, gaita, teclado e bateria. Só falta a gaita de fole. Ele conta que aprendeu a gostar de música com o pai. “Temos em casa três pianos: dois de madeira e um elétrico”, conta. De acordo com Luan, os sons variam de um para outro. O piano preferido é o de madeira que fica em um quartinho no quintal.
Sem tempo
Apesar de passar boa parte do dia se dedicando à música, ele também gosta de fazer outras atividades.
Ele luta judô, faz natação e ainda anda de bicicleta. Para ele, o esporte é tão importante quanto a música.
O adolescente lamenta não poder jogar futebol com os amigos, mas diz que se contenta em ouvir narrações de partidas pelo rádio.
“Os narradores nos transmitem uma emoção enorme. No rádio, a gente ouve detalhes que a televisão não dá. É como se eu enxergasse por 90 minutos”, explica.
Para a televisão, Luan conta que não dá muita atenção. Quanto a filmes, o adolescente garante que se esforça. “Só não tem condição os filmes do Charlie Chaplin!”, brinca. Mas ele ainda prefere os vídeos do Youtube.
O piano é o instrumento musical predileto do adolescente de Guarapuava (Foto: Alana Fonseca/G1)
O piano é o instrumento musical predileto do adolescente de Guarapuava (Foto: Alana Fonseca/G1)
Como qualquer adolescente, Luan passa horas na internet. Ele decorou todas as teclas do celular e do computador. A agilidade é tanta que a voz que sai dos aparelhos – e que deveria guia-lo – chega a se perder. Sem contar que, mesmo sem enxergar, ele consegue tirar fotos quase perfeitas das pessoas.
Quase todos os dias da semana, ele vai à Associação dos Pais Amigos DeficienteVisual (Apadevi). Lá, ele se dedica ao artesanato, ao teatro, tem reforço escolar e também aprende como realizar atividades do dia a dia sozinho, como arrumar uma cama. Luan frequenta o local desde os sete meses de idade.
“Nós, cegos, sempre damos um jeito de fazer as coisas. A minha deficiência não me impede de fazer quase nada”, garante. Dirigir é a única atividade que ele lista como impossível. “Mas meu pai sempre diz que, se eu quiser, posso ser piloto de avião porque no céu não tem no que bater”, relata.
Choque
A mãe, Fátima Grott Arruda, de 42 anos, nem acredita na quantidade de atividades que o filho faz todos os dias. “Ele não para”. Quando soube que Luan era cego, logo que o menino nasceu, Fátima teve medo de que o menino não conseguisse levar uma vida normal.
A mãe temeu mais ainda pelo fato de o irmão gêmeo enxergar perfeitamente. Os bebês nasceram antes dos sete meses. O parto prematuro prometia complicações, mas as sequelas acabaram afetando apenas Luan.
'Eles sempre caminharam juntos', diz a mãe dos gêmeos (Foto: Luan Fadel/Arquivo pessoal)
‘Eles sempre caminharam juntos’, diz a mãe dos gêmeos (Foto: Luan Fadel/Arquivo pessoal)
Apesar de os recém-nascidos terem ficado quase três meses na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a deficiência física do menino foi notada pelos pais apenas em casa. “Um dia, meu marido colocou os dois em um colchão no sol. O Lucas não conseguia olhar diretamente para a luz, se batia. O Luan, sim. Foi, então, que notamos que havia algum problema com ele”, lembra.
A dona de casa conta que quase entrou em depressão, principalmente porque teve uma gravidez tranquila. “Eu quase me entreguei; fiquei forte depois porque tinha que cuidar dos meus filhos”, explica. Então, aos poucos, Fátima e o marido começaram a aceitar a deficiência de Luan e a tratá-lo da mesma maneira que Lucas. “Eles caminharam sempre juntos”, diz.
Desde pequenos, os dois frequentam a mesma escola. As apostilas de Luan são passadas para braile e ele tem acesso aos conteúdos didáticos em áudio. “Aprendemos a mesma coisa”, explica o irmão Lucas.
Até pouco tempo, uma auxiliar ajudava Luan em pequenas tarefas, como pegar objetos na mochila e levá-lo ao banheiro. “Hoje, tento fazer as coisas mais sozinho. Afinal, uma hora vou para a faculdade e aí quero ser mais independente”, planeja. Mesmo no 9º ano do ensino fundamental, ele já tem o futuro bem definido.

Planos
Luan quer cursar direito. O adolescente se inspirou no desembargador do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR), Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, que também é cego.
'Quero mostrar que nós não temos limites para trabalhar. E nem para viver', diz Luan (Foto: Luan Fadel/Arquivo pessoal)
‘Quero mostrar que nós não temos limites para trabalhar. E nem para viver’, diz Luan (Foto: Luan Fadel/Arquivo pessoal)
“Assim como ele, quero mostrar a todos que o cego pode e deve ser mais incluído na sociedade, principalmente em cargos assim. Quero mostrar que nós não temos limites para trabalhar. E nem para viver”, afirma.
Por fim, Luan garante que ainda não tem uma namorada. “Mas vou escolher uma bem bonita”, diz. De acordo com ele, a beleza de uma mulher também é medida por sua voz. “Para mim, mulheres bonitas são as que têm voz bonita”, explica.