domingo, 1 de fevereiro de 2015

10 coisas que sua mãe nunca te contou

Aí estão 10 coisas que sua mãe nunca te contou, mas que talvez seja bom você saber agora 
1. Você a fez chorar… muito.
Ela chorou quando descobriu que estava grávida. Ela chorou quando te deu à luz. Ela chorou quando te segurou pela primeira vez. Ela chorou de felicidade. Ela chorou de medo. Ela chorou de preocupação. Ela chorou porque se preocupa profundamente com você. Ela sentiu suas dores e suas alegrias e ela as compartilhou com você, mesmo que você não tenha percebido.
2. Ela queria aquele último pedaço de bolo.
Mas, quando te viu com aqueles olhões, lambendo a boca, não tinha como comê-lo. Ela sabia que ficaria muito mais feliz vendo a sua barriguinha cheia, em vez da dela.
3. Doeu.
Doeu quando você puxou o cabelo dela; doeu quando você a agarrou com aquelas unhas afiadas, impossíveis de cortar; doeu quando você mordeu o peito dela enquanto mamava. Você machucou as costelas dela quando chutava ainda dentro da barriga; esticou a barriga dela por nove meses; fez o corpo dela se contrair de dor quando veio ao mundo.
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4. Ela sempre teve medo.
Do momento em que você foi concebido, ela fez tudo para te proteger. Ela virou sua mamãe-urso. Ela é aquela mulher que queria dizer não quando a menininha da rua pedia para te segurar e que fez careta quando você estava nos braços dela. Na cabeça dela, ninguém seria capaz de te dar tanta segurança. O coração dela bateu mais rápido quando você deu seus primeiros passos. Ela ficou acordada até mais tarde para ter certeza de que você tinha chegado em casa são e salvo, e acordou cedo para te levar para a escola. Ela estava por perto a cada topada ou tropeção; estava pronta pra te abraçar quando você acordava com pesadelos ou febre. Ela estava lá pra garantir que você estaria OK.
5. Ela sabe que não é perfeita.
Ela é a maior crítica dela mesma. Sabe de todas as deficiências que tem e às vezes se odeia por causa delas. Mas é ainda mais dura consigo mesma quando se trata de você. Ela queria ser a mãe perfeita – mas, como é humana, cometeu erros. Ela provavelmente ainda está tentando se perdoar. Mais que tudo, ela gostaria de voltar no tempo e fazer as coisas de outro jeito, mas isso é impossível, então seja gentil e saiba que ela fez todo o possível.
6. Ela te observou dormindo.
Às vezes ela ficava acordada até as 3h, rezando para você finalmente pegar no sono. Ela mal conseguia ficar de olhos abertos enquanto cantava para você, implorando: “Por favor, por favor pegue no sono”. E aí, quando você finalmente dormia, ela te colocava no berço e todo o cansaço desaparecia por um segundo. Ela ficava ali, olhando sua cara angelical e perfeita, sentindo mais amor do que achasse ser possível, apesar dos braços cansados e dos olhos doloridos.
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7. Ela te carregou por muito mais que nove meses.
Você precisava. Então ela te carregou. Ela aprendeu a te segurar enquanto fazia limpeza, enquanto comia, até mesmo enquanto dormia: não tinha outra alternativa. Os braços estavam cansados, as costas doíam, mas ela te segurava pra ter você bem perto. Ela te agarrou, te amou. Você se sentia seguro nos braços dela; sabia que era amado nos braços dela. Por isso ela te segurou o quanto fosse necessário.
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8. Seu choro cortava o coração dela.
Não havia som mais triste que seu choro, imagem mais horrível que lágrimas escorrendo do seu rosto perfeito. Ela fez tudo o que era possível para que você não chorasse e, quando não podia impedir suas lágrimas, o coração dela se partia em um milhão de pedacinhos.
9. Ela te colocou em primeiro lugar.
Ela ficou sem comer, sem tomar banho e sem dormir. Ela sempre colocou suas necessidades na frente das dela. Ela passava o dia inteiro cuidando de você e, no fim do dia, não sobrava energia para ela mesma. Mas, no dia seguinte, ela acordava e fazia tudo de novo.
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10. Ela faria tudo de novo.
Ser mãe é um dos trabalhos mais difíceis do mundo, um trabalho que às vezes te leva ao limite. Você chora, você sofre, você tenta, você erra, você trabalha e você aprende. Mas você também sente mais alegria do que achava ser possível e mais amor do que seu coração comporta. Apesar de tudo o que sua mãe passou por sua causa, ela faria tudo de novo, porque você vale a pena. Então, da próxima vez que a vir, diga obrigado. Diga que a ama. Nunca vai ser demais

Até brincar ficar mais fácil com um pouco de organização

cantinho do aprendizado
Então você está sentado na sala, quando uma voz fininha, meiga e conhecida te fala: “Vamos brincar?”. Imediatamente sua mente encontra o vazio e você pensa: “Tá, mas brincar do quê?”
Brincar é muito divertido e não precisa ser uma agonia, se for minimamente planejado. É dá para fazer isto sim, quer tentar?
Você pode começar separando uma folha para cada filho. Coloque nela os gostos, preferências deles, o que estão aprendendo na escola. Todos os dias, pense nas mais diversas brincadeiras: as que você brincou, as que você ouviu falar, das que você tenha pesquisado em internet ou livros. Com o tempo, você terá um pequeno banco de dados.
No final de semana, comece a planejar as atividades que irá propor aos pequenos. Separe uma para cada dia. Se possível, procure incluir uma atividade mais física (correr, pular, jogar bola); uma que envolva coordenação fina; uma com quebra-cabeça ou blocos de montar; um experimento (plantar um feijão, ou tentar misturar água e óleo); uma atividade mais artística (pintura, música e até dança) e algo para a família toda jogar.
Com isso, você já conseguirá programar possíveis materiais que irá precisar. Quem sabe recuperar aquele brinquedo que as crianças esqueceram, mas que ainda pode render bons momentos juntos.
E sabe o que pode ser bem legal? Você pode fazer um mistério todos os dias com a brincadeira que irá propor. Tenho certeza que da próxima vez que ouvir um “vamos brincar?”, sua resposta será um sonoro “sim!”.

Surdos com nota mil no Enem

Nesta edição do Enem, vários candidatos com algum tipo de deficiência auditiva se destacaram por ter notas altas na prova de redação. A acreana Oziany Lindoso, 33 anos, esteve entre os 250 únicos candidatos a alcançarem a pontuação máxima – nota mil na redação (http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2015/01/fiz-so-para-testar-diz-acreana-surda-nota-mil-na-redacao-do-enem.html). Outro candidato vencedor foi o garoto Cezar Vitor Pinheiro, de 14 anos, também surdo oralizado, na cidade de São Sebastião do Maranhão (MG), no Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais pobres do Estado (http://www.agora.uol.com.br/saopaulo/2015/01/1576782-garoto-surdo-de-14-anos-alcanca-nota-mil-no-enem.shtml). Não se trata de superar a surdez. Ela continua existindo, é uma característica da pessoa – mas não torna ninguém incapaz.
Em primeiro lugar, isto mostra que pessoas com deficiência também são capazes e muitas vezes se destacam – desde que, na avaliação, não se veja a “cara” do candidato, como ocorre em vestibulares, concursos públicos e outras provas. O que também serve como uma medida do preconceito existente na sociedade.
Isto também desmente um mito sobre a incapacidade dos surdos de aprenderem a se expressar corretamente em português. É comum que surdos usuários de Libras aleguem que, para eles, a redação deveria ser corrigida com critérios diferentes, devido à maior dificuldade que têm para aprender o português (http://www.ebc.com.br/educacao/2014/11/estudantes-surdos-tem-dificuldade-para-se-preparar-para-o-enem). Isto pode até ser válido para os surdos sinalizados, mas não para os oralizados.
Um ponto em comum entre os surdos que conseguiram boas notas no Enem é que todos tiveram de enfrentar preconceito na escola, em maior ou menor grau, porém contaram com professores compreensivos, que procuraram tornar suas aulas mais acessíveis. Pequenas mudanças, como colocar o aluno surdo na fileira da frente e dar as explicações sempre de frente para os alunos, em vez de olhar para o quadro-negro, fazem toda a diferença.
Outro fator que contribuiu para estes sucessos no Enem foi a intimidade com a leitura. Para quem tem alguma dificuldade de audição, o texto escrito acaba se tornando uma espécie de porto seguro, e isto é muito importante. Só pode escrever uma boa redação alguém que lê muito e vê a linguagem escrita como uma aliada.
O importante agora é que estes jovens continuem chutando a porta do preconceito em suas vidas, pois a inclusão só será possível com muitos Cezares e Ozianys brigando por seus direitos.

TÃO LINDA E NA CADEIRA DE RODAS

Cercadas por esterótipos e exploração midiática de suas vivências, as mulheres com deficiência demandam atenção para suas especificidades e criticam o silêncio dos movimentos sociais, questionando a ausência de suas pautas também no Feminismo
Na cultura midiática brasileira, as pessoas com deficiência geralmente são retratadas em contextos estereotipados e reducionistas. O discurso típico a seu respeito costuma se limitar a dois polos: a negação da autonomia e a exploração da imagem dessas pessoas, apelando para situações que despertam sentimentos de pena ou motivação para quem não tem nenhum tipo de deficiência. São muito comuns as histórias de superação, contadas para comover a audiência a partir das dificuldades vivenciadas por quem tem deficiência. Muita gente ainda é surpreendida quando esses indivíduos demonstram que possuem liberdade de escolha e plena capacidade para viver em sociedade.
Para além dos clichês e ofensas que atingem as pessoas com deficiência, ainda se faz necessário afunilar essa discussão e buscar um maior aprofundamento nessa realidade, algo que possibilite reflexões mais complexas e abrangentes sobre deficiência. Por reconhecerem essa urgência, o grupo Inclusivass surgiu em Porto Alegre. O coletivo feminino é composto por ativistas pelos direitos das mulheres com deficiência e as integrantes atuam em diversas organizações e movimentos, articuladas pela ONG Coletivo Feminino Plural. O grupo é formado por mulheres com ou sem deficiência e tem como objetivo fortalecer as políticas públicas para as mulheres com deficiência, considerando os recortes de gênero, raça, etnia e outras formas de viver a diferença.
“Embora nós, mulheres com deficiência, sejamos vítimas das mesmas formas de violência cometidas contra as demais mulheres, sofremos pela discriminação constante baseada na deficiência e estamos em maior vulnerabilidade, o que leva a maus tratos de toda ordem”, explica Claudia Sobieski, assessora do grupo. Apesar dos dados escassos, há evidências que comprovam essa realidade: “Há vários estudos sobre isso, um deles é um estudo feito no Canadá. Foram enviados questionários para 245 mulheres com deficiência. Das que responderam, 40% relataram que elas foram vítimas de abuso e 12% disseram que foram estupradas. Contudo, menos da metade destes incidentes foram registrados. A falta de comunicação em formatos acessíveis dificulta para as mulheres com deficiência o acesso à informação sobre os serviços disponíveis, fazendo com que muitas vezes elas não denunciem ou procurem ajuda. Mulheres com deficiência cognitiva, por exemplo, são alvos por não terem sua palavra considerada e respeitada”, diz Sobieski.
Infelizmente, essa realidade de violência não é de fato compreendida ou considerada pela sociedade. Essa crítica, aliás, não diz respeito somente às camadas despolitizadas, pois lamentavelmente as pautas das mulheres com deficiência também não são abordadas em muitos contextos de luta do movimento feminista. A dificuldade de garantir representatividade efetiva não é nenhuma novidade para as mulheres que lutam pelos direitos femininos, mas é preciso dar passos além do ato de reconhecer carências e falhas.
“O objetivo do grupo Inclusivass é sensibilizar o movimento de mulheres e os Conselhos de Direitos da Mulher para que assumam a nossa agenda como parte da agenda geral das mulheres”, afirma Sobieski. “Esta é uma perspectiva nova, talvez a mais nova de todas para os movimentos de mulheres. Sabemos que desde 1990 vários segmentos se organizaram: as mulheres negras, as trabalhadoras, as jovens e, agora, as mulheres com deficiência. É preciso levar a todas as mulheres a ideia de que a acessibilidade é um tema constante, pois é ela que garantirá às mulheres com deficiência chegar a todos os lugares, efetivando assim a sua inclusão na sociedade”.
Entre as demandas específicas, se faz necessária a especificação de reivindicações, tais como o direito à saúde integral, com lugares e aparelhos adaptados, e direitos sexuais e reprodutivos, como o planejamento familiar, a gestação e a maternidade com cuidados especializados e humanizados, incluindo as mães com deficiência no acompanhamento escolar e de saúde das crianças. “A acessibilidade é a possibilidade para que todas nós façamos parte do mundo como pessoas com dignidade e direitos”, finaliza Sobieski.
Combater os estereótipos e a invisibilidade não é uma tarefa fácil. Não obstante, assim como as mulheres do Inclusivass, há feministas autônomas que dedicam seus espaços na rede para promover conscientização e levantar colocações que provocam o lugar comum de quem não possui alguma deficiência ou não convive com familiares que vivem essas diferenças. A advogada e psicoterapeuta Mila Correa D’Oliveira se destaca por sua abordagem direta e feminista. A entrevista concedida por ela pode ser lida na íntegra:
(Foto: Arquivo pessoal)
“A deficiência não está dentro dos padrões, portanto, acham que se uma pessoa, “apesar” da deficiência, se mantém bonita, é algo a ser apontado”, diz a advogada e psicoterapeuta Mila Correa D’Oliveira (Foto: Arquivo pessoal)
Fórum – Na sua descrição no Twitter, você faz um tirada com algo bastante repetido sobre mulheres cadeirantes: “Tão linda e na cadeira de rodas”.  Como é a questão do padrão de beleza para as mulheres com deficiência?
Mila Correa D’Oliveira – Quando eu falo sobre “tão linda e na cadeira de rodas”, eu estou reproduzindo, de forma irônica, a maneira ridícula como as pessoas me tratam, desde criança. Eu sou bombardeada por essa frase desde sempre, sempre com um certo tom de pena, algo como “ela não merecia estar aí” ou “a deficiência não tirou sua beleza”. Ou seja, tudo errado. Como se as pessoas consideradas bonitas não “merecessem” passar por uma deficiência, pior, como se deficiência fosse uma espécie de castigo nas quais as pessoas que elas consideram bonitas não deviam passar, porque beleza seria uma virtude. De uns tempos pra cá, eu tenho retrucado “ah, então, se eu fosse feia, podia?”, elas riem, ficam sem graça, acham que eu estou de piadinha, muitas vezes nem percebem o erro na frase.
Essa coisa do “tão linda e na cadeira de rodas” está intimamente ligada também à questão do padrão de beleza. A deficiência não está dentro dos padrões, portanto, acham que se uma pessoa, “apesar” da deficiência, se mantém bonita, é algo a ser apontado. Outro completo absurdo, porque sabemos que beleza não está apenas no que está dentro dos padrões. Comumente vemos que a beleza da pessoa com deficiência, quando retratada em comerciais ou ensaios de moda, é sempre aquela muito próxima à do padrão. A pessoa com deficiência que foge qualquer coisa disso vai ser lembrada em histórias de superação, heroísmo ou algo assim, dificilmente vai ser retratada a beleza do diferente, do destoante, que a deficiência traz.
Fórum – Você acha que é necessário buscar um recorte de gênero no ativismo por acessibilidade? 
D’Oliveira - Eu fico muito feliz e confiante no futuro quando vejo o quanto está se falando sobre gênero, sobre racismo e direitos LGBT, mas eu ainda sinto muita falta de ver a opressão sofrida pelas pessoas com deficiência. O próprio termo “capacitismo” é pouco difundido, ainda se vê perpetuando estereótipos do herói, da vítima – em relação à mulher com deficiência no Feminismo. Há que se falar mais em acessibilidade, não somente física, mas atitudinal, mostrar que é somente através da acessibilidade que se pode terminar a opressão sofrida pelas pessoas com deficiência, tirar desse ranço assistencialista que só nos separa.
A acessibilidade é muito importante, funciona como meio de inclusão, na medida em que quanto mais se convive, mais se atenta à inclusão, ao respeito aos direitos. Mas também a necessidade de se dar visibilidade às pessoas com deficiência tem que vir para que essa acessibilidade seja vista como um benefício para todos, pois uma sociedade que convive com a diversidade só tem a ganhar. A acessibilidade, sua base de desenho universal, preconiza que os ambientes devem ser feitos de maneira a receber adequadamente as pessoas independentemente da sua configuração de corpo; assim, acessibilidade não é feita somente para pessoas com deficiência, acessibilidade não é só adaptar, “dar um jeitinho”, é incluir, é perceber que os ambientes devem servir às pessoas e não o contrário.
Fórum – É possível afirmar que mulheres que possuem algum tipo de deficiência estão mais vulneráveis à violência doméstica ou outros tipos de abusos?
D’Oliveira - As estatísticas comprovam que sim, pessoas com deficiência em geral, homens e mulheres, especialmente aqueles com deficiência intelectual, sofrem mais abusos do que as outras pessoas. Os motivos comuns, como a dependência psicológica e financeira, ficam ainda mais acirrados quando tratando dessas pessoas. Muitas delas não têm acesso a educação e renda e reproduzem a ideia da sociedade opressora de que precisam da piedade, do assistencialismo do outro, dificultando ainda mais a quebra desse ciclo de violência doméstica.
Fórum – Na sua opinião, o movimento feminista aborda esse tema de forma suficiente? Falta atenção e informação ou você acompanha bons trabalhos relacionados?
D’Oliveira – Na minha opinião, não aborda. O Feminismo, por mais boa vontade que tenha, está inserido nessa sociedade excludente, que invisibiliza a pessoa com deficiência e, assim, reproduz, ainda que em menor escala, essa exclusão. As feministas negras foram as primeiras a denunciar as falhas em tratar sobre todas as mulheres e eu sinto o mesmo em relação às mulheres com deficiência. Há que se fazer um esforço para incluir nossas demandas; como se falar em direito reprodutivo das mulheres com deficiência se as pessoas ainda têm dúvidas se deficiente pode parir? Como proteger milhares de mulheres com deficiência dos abusos sexuais se há um enorme silêncio acerca da sexualidade da pessoa com deficiência? É preciso vitimizar menos as mulheres com deficiência, dar voz, fazer elas tomarem conta dos espaços. Eu entendo que é preciso também proteger, mas há de se ter cuidado para não pecar justamente nesse paternalismo, que já é tão recorrente. Não tenho embasamento teórico para dizer quais são as correntes do Feminismo, mas confesso que já me incomodei com setores que sacralizam o corpo, que retiram nossa agência, nos infantilizam.
(Foto: Arquivo pessoal)
Reunião do grupo Inclusivass, de Porto Alegre (Foto: Arquivo pessoal)
Fórum – Você percebe um tipo de misoginia relacionado especificamente às mulheres que possuem algum tipo de deficiência? 
D’Oliveira – Eu percebo, sim. Assim como a grande parte das ofensas capacitistas, a misoginia com relação às pessoas com deficiência passa desapercebida pelas demais pessoas. Eu sinto que as mais frequentes são as que diminuem o papel da mulher com deficiência como sujeito autônomo. Nos casos de reprodução, por exemplo, há relatos de mulheres com deficiência congênita que recebem sugestões do tipo “melhor não ter filhos, caso ele nasça com deficiência”, um claro caso de eugenia. Existe também a solidão da mulher com deficiência que é vista como incapaz de exercer funções dentro e fora de casa, portanto, inapta a se relacionar. É feita de maneira silenciosa, mas efetiva, essa separação. Há também o acesso à saúde e isso vale para homens e mulheres, pois uma parte da rede de saúde, seja pública ou particular, tem acessibilidade ruim. Ou seja, se para uma pessoa sem deficiência já é difícil cuidar da saúde, no nosso caso é ainda pior. Macas altas, consultórios com espaços mínimos, desinformação dos profissionais e transporte público ruim vêm afastando pessoas com deficiência dos centros de saúde e causando uma enorme perda. Existem inúmeros tipos de deficiência, cada uma com suas demandas e visões, e seria importante abrirmos cada vez mais espaços para conhecer todas elas. Só assim teremos oportunidade de diminuir a opressão.

11 livros gratuitos sobre educação inclusiva

Todo mundo sabe a importância da educação em nossas vidas. O que é uma pessoa sem educação! O que é uma sociedade em educação! Difícil imaginar. Mas existe um outro conceito que vem ganhando força e dedicação de uns tempos para cá: a Educação Inclusiva. Nada mais justo, afinal todos tem direito a terem acesso ao conhecimento. Pensando nisso, trazemos aqui dicas de 11 livros sobre o tema, para download gratuito.
Mas antes de tudo, você precisa sabe responder o que é Educação Inclusiva!
A Educação Inclusiva
É um processo que amplia a participação de todos os estudantes – sem distinguir condições físicas, mentais, sociais, de raça, cor ou credo – nos estabelecimentos de ensino regular. Trata-se de uma reestruturação da cultura, da prática e das políticas vivenciadas nas escolas de modo que estas respondam à diversidade dos alunos. É uma abordagem humanística, democrática, que percebe o sujeito e suas singularidades, tendo como objetivos o crescimento, a satisfação pessoal e a inserção social de todos.
De acordo com o Seminário Internacional do Consórcio da Deficiência e do Desenvolvimento (International Disability and Development Consortium – IDDC) sobre a Educação Inclusiva, um sistema educacional só pode ser considerado inclusivo quando abrange a definição ampla deste conceito, nos seguintes termos:
- Reconhece que todas as crianças podem aprender;
- Reconhece e respeita diferenças nas crianças: idade, sexo, etnia, língua, deficiência/inabilidade, classe social, estado de saúde (i.e. HIV, TB, hemofilia, Hidrocefalia ou qualquer outra condição);
- Permite que as estruturas, sistemas e metodologias de ensino atendam as necessidades de todas as crianças;
- Faz parte de uma estratégia mais abrangente de promover uma sociedade inclusiva;
- É um processo dinâmico que está em evolução constante;
- Não deve ser restrito ou limitado por salas de aula numerosas nem por falta de recursos materiais.
Você que é professor, estudante, pesquisador ou quer apenas conhecer mais sobre esse assunto tão importante para uma boa convivência acadêmica, pode fazê-lobaixando os livros gratuitamente para ler quando e onde quiser. São 11 opções, veja só:
Todos os livros são gratuitos e podem te ajudar a ver o mundo de um jeito diferente.
Boa leitura!